
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que 45,8% dos tribunais e conselhos do país já usam ferramenta de inteligência artificial generativa em alguma etapa da própria operação. O dado integra a Pesquisa Inteligência Artificial no Poder Judiciário, apresentada pelo órgão em webinário do Programa Justiça 4.0.
Entre os tribunais que ainda não adotaram a tecnologia, 81,3% afirmam ter planejamento pra integrar IA generativa às próprias atividades nos próximos anos. O número reforça que a adoção de inteligência artificial no Judiciário brasileiro deixou de ser exceção pra virar tendência consolidada.
Especialistas do Justiça 4.0 apontaram, durante a apresentação, que o crescimento no uso dessas ferramentas já é realidade concreta no dia a dia do Judiciário. Não é mais projeto piloto isolado em poucos tribunais.
Pra quem advoga, esse movimento tem implicação prática direta. Cada vez mais processo pode ter alguma etapa de análise, triagem ou apoio à decisão passando por sistema automatizado. Isso reforça a importância de acompanhar de perto a Resolução CNJ nº 615/2025. A norma regula esse uso e garante direito de contestação e acesso a relatório de auditoria pra quem for parte no processo.
O CNJ também vem investindo em capacitação nacional dos quadros da Justiça e em padronização de critério entre tribunais diferentes. A meta é reduzir a desigualdade técnica entre quem já domina a tecnologia e quem ainda está começando. A pesquisa completa está disponível no portal oficial do CNJ.
O Brasil tem mais de 80 milhões de processos em tramitação, segundo dado já divulgado pelo próprio CNJ. Por isso, o país é apontado por especialista como referência global na aplicação de tecnologia ao sistema de Justiça. Essa escala favorece o protagonismo nacional no desenvolvimento de solução digital jurídica.
Ainda assim, o próprio CNJ reconhece que a adoção segue desigual entre tribunal grande, com estrutura de tecnologia consolidada, e tribunal menor, com recurso mais limitado. Parte da estratégia atual do órgão envolve justamente reduzir essa distância, compartilhando solução já validada em vez de exigir que cada tribunal desenvolva ferramenta própria do zero. Essa abordagem colaborativa tende a acelerar a curva de adoção nos próximos anos, segundo avaliação de técnico que acompanha o programa de perto.
Entre os usos mais comuns já mapeados pelo CNJ estão triagem inicial de processo, identificação de repetitivo e apoio à organização de acervo digital, tarefa que costumava consumir grande parte do tempo de servidor antes da automação. Segundo o Conselho, esses ganhos de produtividade já são mensuráveis em unidade judiciária que adotou a tecnologia há mais tempo.
O levantamento também indicou que tribunal de maior porte, com mais recurso disponível pra investir em infraestrutura própria, tende a apresentar índice de adoção mais alto do que unidade menor, ainda dependente de solução compartilhada oferecida pelo próprio CNJ. Esse padrão reforça a importância da estratégia nacional de compartilhamento de ferramenta, citada como prioridade pelo órgão pros próximos ciclos de expansão.
Advogado que atua em diferentes tribunais do país pode notar, na prática, diferença real na velocidade de andamento processual conforme o grau de adoção tecnológica de cada unidade judiciária específica.
