
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu, em maio de 2026, a segunda edição da Pesquisa sobre o Uso de Inteligência Artificial Generativa no Poder Judiciário. O levantamento convida magistrados e servidores de todo o país a informar como a tecnologia tem sido usada no dia a dia das unidades judiciárias.
A nova etapa dá continuidade ao diagnóstico iniciado em 2024. O objetivo declarado pelo CNJ é aprimorar as diretrizes já estabelecidas pela Resolução CNJ nº 615/2025, alinhando a regulamentação à realidade vivida pelos tribunais dois anos depois da primeira coleta de dado.
Segundo o órgão, a participação é anônima. Leva entre 5 e 10 minutos pra ser concluída, através de formulário eletrônico disponibilizado pelo próprio CNJ. As respostas devem orientar futura política pública sobre tecnologia no sistema de Justiça.
Pra advogado, o resultado dessa pesquisa importa diretamente. A cada nova rodada de diagnóstico, cresce a chance de a Resolução 615/2025 ganhar ajuste prático, especialmente em ponto sensível como explicabilidade de decisão apoiada por IA e direito de resposta de quem é parte no processo.
O CNJ já havia divulgado, em pesquisa anterior, que 45,8% dos tribunais e conselhos do país afirmavam usar ferramenta de IA generativa em alguma etapa da própria operação, com a maioria dos que ainda não usavam dizendo pretender adotar a tecnologia nos próximos anos.
A expectativa é que o resultado da nova coleta seja divulgado ainda em 2026, servindo de base pra eventual atualização normativa conduzida pelo Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário. Mais informações sobre a pesquisa estão disponíveis na publicação oficial do CNJ.
O primeiro diagnóstico, realizado em 2024, serviu de base pra construção da própria Resolução CNJ nº 615/2025. A norma trouxe exigência de transparência, supervisão humana e classificação de risco pro uso de sistema de inteligência artificial. A nova rodada de coleta amplia esse retrato, dois anos depois, num momento em que a tecnologia já está bem mais presente no cotidiano forense do que estava na primeira edição da pesquisa.
Tribunais de todo o país são convidados a participar de forma voluntária. O CNJ reforça que o objetivo não é fiscalizar unidade específica, mas construir um panorama nacional. A ideia é calibrar futura diretriz de forma realista, alinhada ao que acontece nos gabinetes, não só ao que a norma prevê no papel.
A primeira edição da pesquisa, realizada em 2024, já revelava uso crescente de ferramenta de IA generativa em tarefa como triagem de petição, resumo de processo e apoio à redação de despacho. Esse retrato inicial foi determinante pra moldar boa parte do texto da Resolução 615/2025, que estabeleceu exigência de transparência e supervisão humana antes de qualquer decisão que envolva apoio de sistema automatizado.
Segundo o CNJ, magistrado e servidor têm até o início de maio de 2026 pra responder o formulário eletrônico, disponibilizado no próprio site do órgão. A coleta é anônima, o que segundo o Conselho ajuda a garantir resposta mais honesta sobre prática real de uso, incluindo eventual dificuldade enfrentada no dia a dia com a tecnologia.
Especialista em direito processual acompanha esse tipo de diagnóstico com atenção, já que o resultado tende a influenciar próxima rodada de ajuste normativo, num momento em que o uso de inteligência artificial no Judiciário brasileiro segue em expansão acelerada.
