
Relatório da NetDocuments, intitulado "2026 Legal Tech Trends", mostra que o uso de inteligência artificial generativa entre escritório de advocacia saltou de 37% em 2024 pra 80% em 2025. Entre escritórios com mais de 700 advogados, o índice de adoção chegou a 100%. O documento reúne dado coletado junto a organizações jurídicas de diferentes portes ao longo do último ano.
O relatório também cita dado da Thomson Reuters. Escritório com estratégia de IA clara e bem comunicada internamente tem 3,9 vezes mais chance de obter retorno real sobre o investimento, comparado a escritório sem plano estruturado de treinamento.
Segundo a análise, o salto expressivo no índice de adoção mostra que o ciclo de experimentação com IA já passou. O desafio agora está em fazer a tecnologia funcionar dentro do fluxo jurídico real, não só em projeto piloto isolado. O documento aponta que boa parte dos escritórios brasileiros ainda está na fase de teste, medindo e ajustando antes de incorporar de vez à rotina.
O relatório também aponta seis movimentos centrais observados no mercado jurídico global, descritos como padrões já em curso em organização mais avançada do setor, não mais previsão especulativa de futuro distante.
A diferença entre escritório que extrai valor real da tecnologia e escritório que fica preso em projeto interminável, segundo o levantamento, está diretamente ligada à forma como a mudança é conduzida internamente, com treinamento estruturado e comunicação clara pra toda a equipe. O relatório completo foi comentado na análise publicada pelo Inspira Blog.
Ainda segundo o levantamento, escritório brasileiro de menor porte enfrenta dificuldade específica na transição do piloto pra rotina. O motivo costuma ser falta de processo interno claro sobre quando e como usar a ferramenta em cada tarefa.
O relatório reforça que a diferença entre organização que extrai valor real da IA e organização presa em experimentação prolongada não está na ferramenta escolhida. Está no acompanhamento contínuo da adoção, com métrica clara de uso e ajuste frequente conforme o retorno observado. Esse padrão, segundo o documento, se repete em mercado jurídico de diferentes países, não é particularidade do cenário brasileiro.
Entre os seis movimentos centrais identificados pelo levantamento está a expectativa de que a IA jurídica mais sofisticada passe a agir de forma proativa, sugerindo etapa seguinte de um caso sem esperar comando explícito do usuário, em vez de funcionar apenas como ferramenta reativa acionada manualmente.
O documento também aponta que escritório brasileiro tende a acelerar a curva de adoção nos próximos dois anos, acompanhando tendência já observada em mercado jurídico mais maduro, como o americano e o britânico, onde o índice de adoção de IA generativa já supera a média global apresentada no próprio relatório.
