Toga Digital / Crítica Nº TD-0028.2026
Crítica

Parar de chamar Google Ads de propaganda enganosa só porque dá medo de tentar

O problema nunca foi a ferramenta. Foi o medo de aparecer. Um olhar direto sobre por que advogado evita Google Ads sem necessidade real.

Diogo Leão

Toda vez que sugiro Google Ads pra um advogado, a reação é quase sempre a mesma: "isso não é meio propaganda enganosa? Advocacia não devia ficar longe disso?" E toda vez eu preciso explicar a mesma coisa. O problema nunca foi o anúncio. Foi o medo de aparecer.

Google Ads não é comercial de televisão gritando desconto. É alguém digitando "advogado trabalhista rescisão indireta" no Google, no momento exato em que precisa de ajuda, e o seu anúncio aparecendo pra essa pessoa específica. Portanto, isso não é mercantilização. É estar disponível quando alguém já decidiu procurar.

O que a OAB veda é claro: promessa de resultado, preço exposto, comparação com outro colega. Ou seja, nenhuma dessas três coisas tem relação nenhuma com o formato do anúncio em si. Você pode violar essa régua num post orgânico de Instagram do mesmo jeito que pode violar num anúncio pago. E também pode fazer os dois dentro da régua, com texto informativo, sóbrio, sem nenhum apelo comercial.

Acho que, no fundo, o medo real não é ético. É de exposição. Advogado tem certa resistência histórica em se colocar como alguém que "precisa vender". Existe até um preconceito interno dentro da própria profissão, como se buscar cliente ativamente fosse menos digno do que esperar indicação.

Só que esse pudor tem custo real. Enquanto isso, um escritório trata anúncio como tabu, outro já está gastando pouco, testando campanha pequena, aprendendo o que funciona, e captando cliente que o primeiro nem sabia que existia procurando ajuda naquele momento.

Não estou dizendo pra sair gastando sem entender nada. Ainda assim, estou dizendo pra separar dois problemas que a gente costuma misturar: o medo de fazer errado, que é legítimo e resolvível com estudo da norma, e o medo de simplesmente aparecer, que não tem nada a ver com ética e tudo a ver com desconforto pessoal.

A régua existe, é clara, e cabe qualquer formato de anúncio dentro dela. O que separa quem usa bem de quem se mete em problema não é a ferramenta. É o texto que sai dela. Confunda essas duas coisas, e você vai continuar deixando dinheiro na mesa por medo de um fantasma que nem existe do jeito que você imagina.

Outro ponto que vejo pouca gente considerar: enquanto você espera se sentir "pronto" pra anunciar, o algoritmo continua aprendendo com quem já está anunciando. Campanha antiga, com meses de dado acumulado, custa menos por contato do que campanha nova. Cada mês de adiamento não é neutro. Tem custo de oportunidade real, mesmo que ele não apareça em nenhuma planilha.

Também vejo advogado achando que precisa dominar tráfego pago sozinho antes de começar. No entanto, não precisa. Existe agência especializada, existe conteúdo gratuito explicando o básico, existe até período de teste com orçamento pequeno o suficiente pra errar sem quebrar o caixa do escritório. O primeiro passo não exige perfeição, exige só coragem de testar.

Portanto, se o seu medo é ético, estude a norma, é rápida de entender e resolve isso de vez. Se o seu medo é de aparecer, aceite que esse desconforto vai continuar existindo até você atravessar ele. Nenhum dos dois se resolve evitando a ferramenta pra sempre.

Diogo Leão
Diogo Leão Especialista em Marketing Jurídico

Escreve sobre tecnologia, SEO e prospecção ética para advogados no Toga Digital. Acompanha de perto as mudanças que afetam a rotina de escritórios de todos os tamanhos.