Toga Digital / Crítica Nº TD-0031.2026
Crítica

O problema nunca foi falar de preço. É não saber explicar valor sem ele.

Você não pode falar de preço, e não devia mesmo. O problema real é não saber comunicar valor sem esse atalho. Um exercício pra testar isso.

Diogo Leão

Toda vez que fala em conteúdo pra advocacia, alguém me pergunta: "mas posso falar de preço?" E a resposta técnica todo mundo já sabe: não, o Provimento 205/2021 veda exposição de honorário. Mas a pergunta que ninguém faz, e que importa muito mais, é outra: você sabe explicar por que vale a pena te contratar, sem citar número nenhum?

A maioria não sabe. Consequentemente, é isso que gera o site institucional genérico, cheio de frase vaga tipo "atendimento humanizado" e "compromisso com a excelência", sem dizer nada que diferencie aquele escritório de qualquer outro na mesma cidade.

Isso não é falha de criatividade. É, na verdade, consequência direta de nunca ter treinado a habilidade de comunicar valor sem recorrer ao atalho mais fácil, que é o preço. Em quase todo outro setor, quando falta argumento, cai-se em desconto ou promoção. Advocacia não tem essa saída, e ainda bem, porque isso obrigaria a competir só por quem cobra mais barato.

O problema é que, tirado esse atalho, muito escritório simplesmente não desenvolveu outro discurso. Assim, fica só o vazio institucional, tentando soar profissional sem dizer nada específico sobre o que faz diferente.

Valor não é preço. Valor é resultado de processo bem conduzido. É transparência sobre etapa e prazo. É resposta rápida quando o cliente está ansioso. É explicar o andamento do caso em linguagem que a pessoa realmente entende, sem juridiquês. Nada disso fere norma nenhuma. E é justamente esse tipo de conteúdo que constrói confiança de verdade, sem precisar de tabela de preço nenhuma pra convencer.

Portanto, o exercício que sugiro é simples: escreva por que um cliente deveria escolher você em vez de outro advogado da mesma área, sem usar a palavra preço, desconto ou barato em nenhuma frase. Se travar nos primeiros parágrafos, você encontrou o problema real do seu marketing jurídico. Não é a norma que te impede de falar de preço. É a falta de prática em falar de qualquer outra coisa que realmente importe.

A régua da OAB não é limitação. É filtro. Ela te obriga a competir pelo que deveria competir desde sempre: competência de verdade, comunicada com clareza. Quem entende isso para de reclamar da norma e começa a construir argumento real.

Além disso, reparo que os escritórios que crescem de verdade no digital, sem depender de indicação, quase sempre têm um traço em comum: conseguem explicar em poucas frases por que aquele atendimento é diferente, sem citar nenhum número. Falam de processo, de comunicação, de transparência, de como conduzem o caso do início ao fim.

Isso exige um trabalho de introspecção que a maioria evita. Precisa sentar e perguntar, com honestidade, o que realmente diferencia o seu atendimento do concorrente da esquina. Se a resposta for "nada", esse é o problema real a resolver, e nenhuma técnica de marketing resolve isso por você.

Vale escrever essa resposta, revisar, testar em conversa real com cliente antigo, perguntar o que ele mais valorizou no atendimento. Muitas vezes a resposta vem de um detalhe que o próprio advogado nem considerava relevante, e que pode virar a base de toda comunicação do escritório dali pra frente.

Diogo Leão
Diogo Leão Especialista em Marketing Jurídico

Escreve sobre tecnologia, SEO e prospecção ética para advogados no Toga Digital. Acompanha de perto as mudanças que afetam a rotina de escritórios de todos os tamanhos.